• White Facebook Icon
  • White Twitter Icon
  • White Instagram Icon

©2023 por Guimarães. Orgulhosamente criado com Wix.com

ENTRE EM CONTATO

Rafael Gloria - (51) 999915282

Thaís Seganfredo -  (51) 992471612

E-mail - riobaldocomunicacao@gmail.com

Buscar
  • Agência Riobaldo

Uma noite para dissecar os medos



O Halloween de 2019 foi marcado por um debate sobre literatura, terror e o gótico em Porto Alegre. Na Livraria Taverna, os escritores Irka Barrios, Gustavo Czekster e Daniel Gruber compartilharam seus conhecimentos e impressões sobre o terror na ficção, além de comentarem sobre o novo livro de Irka, o romance “Lauren”.


A provocação que guiou o início do debate foi refletir sobre o que causa medo em cada um dos presentes. Para Gustavo, as pessoas podem ter medos que, geralmente, se originam nas famílias, e o medo se apresenta como uma fonte importante de inspiração para a escrita. “Eu sempre falo para as pessoas escreverem sobre seus medos quando elas me perguntam sobre o que escrever”, comentou.


Daniel contou que sempre teve medo de extraterrestres, que continuam a lhe causar fascínio ainda que ele não acredite mais em ETs. “Isso mexe com aquele medo atávico, com o que não podemos explicar.” Irka lembrou dos medos que temos na infância. “Por estar ligado ao medo do desconhecido, os filmes de terror têm muitas crianças”, ressaltou, refletindo sobre os contraentes entre a pureza e o maligno.


Um dos filmes mais debatidos no evento foi “O Exorcista”, clássico de 1973. “Para Daniel, “o filme representou um embate entre a sociedade conservadora e a sociedade que estava se abrindo, por isso funcionou tão bem”. Uma das questões da obra é a dúvida entre real e sobrenatural, o que sempre traz potência às narrativas de terror na opinião dos autores.


Como foi abordado na mesa, a literatura gótica, em sua origem, tinha a intenção de ultrapassar o realismo, e esse dilema entre o real e o irreal desperta sentimentos profundos.

Segundo Gustavo, 3 passos contribuem para a potência de uma narrativa de terror: primeiramente, o questionamento acerca do estranho, seguido pela busca de explicações racionais e, finalmente, uma rendição ao fato de que nem tudo é regido pela lógica. Para os autores, os livros de terror dialogam com seu tempo, interpretam o espírito de uma época. Um exemplo disso é a tendência atual de ficções ligadas à distopia.


Nesse sentido, alguns autores clássicos foram abordados na mesa, como Mary Shelley, Lovecraft e Stephen King. “O King é um dos autores que melhor descreve a sensação corpórea quando a pessoas está sentindo medo. It, por exemplo, foi um dos responsáveis por eu escrever Lauren”, contou.


Por fim, a força do feminino no terror – um dos temas presentes em Lauren – também foi pauta do debate. Os vampiros são um caso marcante nesse sentido, uma vez que, em sua origem, eram personagens femininas lésbicas. A caça às bruxas, um dos elementos das variadas narrativas do horror é outro tema muito abordado atualmente pelas obras, justamente por representarem a perseguição tanto às mulheres quanto ao pensamento destoante. “A Lauren de certa forma se insere nesse universo”, comentou Irka, refletindo sobre a inadequação social que acompanha a protagonista em sua adolescência. “Nessa época da juventude, tudo parece horrível, tudo parece assustador”, concluíram os autores.

12 visualizações